Captação da previdência complementar aberta bate recorde e chega a R$ 3,3 bilhões em dezembro. Crescimento em relação a dezembro de 2004 foi de 17,78%.
No ano, volume alcança a marca de R$ 19,5 bilhões, alta de 3,9% frente a 2004.
A captação dos planos de previdência complementar em dezembro bateu recorde histórico e alcançou a marca de R$ 3,35 bilhões, obtendo crescimento de 76,4% na comparação com o resultado obtido em novembro (quando o mercado captou R$ 1,899 bilhão) e de 17,78% na comparação com o mesmo mês do ano anterior (R$ 2,844 bilhões). Os dados são da Anapp (Associação Nacional da Previdência Privada).
Contribuiu para esse resultado o aumento dos depósitos em VGBL, que somaram R$ 2,259 bilhões em dezembro. Esse número representou um crescimento de 73,18% na comparação com novembro, quando o mercado havia captado R$ 1,304 bilhão nessa modalidade de produto, e de 27,27% contra dezembro de 2004, quando R$ 1,775 bilhão foi captado.
As novas contribuições de PGBL somaram R$ 721,3 milhões o que representou uma alta de 75,49% contra novembro, quando R$ 411 milhões foram captados, e alta de 8,52% na comparação com dezembro de 2004, quando foram registrados R$ 664,7 milhões. Por fim, os planos tradicionais apresentaram captação de R$ 368 milhões, o que representou uma alta de 103,79% na comparação com o mês anterior (R$ 180,5 milhões) e queda de 7,6% em relação a dezembro de 2004 (R$ 397 milhões).
Os VGBL foram responsáveis por 61% da captação do mês de dezembro, seguidos pelos PGBL, com 23% do total, e pelos planos tradicionais, com 16%. Outros produtos, como PRGP, Fapi e VGRP não alcançam 1% do total, analisados isoladamente.
Resultado Anual
O resultado de dezembro contribuiu para que os fundos de previdência encerrassem o ano com um volume de captação de R$ 19,5 bilhões, o que representou um crescimento de 3,9% na comparação com 2004, quando R$ 18,8 bilhões em novos recursos ingressaram na previdência complementar.
Para o presidente da Anapp e diretor da Itaú Vida e Previdência, Osvaldo do Nascimento, as mudanças do mercado de previdência complementar no ano passado deram início de um ciclo de crescimento sustentado do setor. “Foi uma fase estratégica para o mercado no país, porque plantamos as bases para um desenvolvimento contínuo nos próximos anos. Mas ainda há muito o que fazer. O mercado para planos de previdência tem um potencial enorme e nosso maior desafio é continuar estimulando a cultura do brasileiro para poupança de longo prazo”.
Nascimento aponta que, já a partir do segundo semestre, a indústria mostrou que recuperou-se das incertezas advindas da nova legislação tributária. “Desde agosto, verificamos um crescimento sustentado nas novas captações nas comparações com 2004, chegando a um resultado recorde em novembro, quando as captações cresceram 33%, na comparação com o mesmo período de 2004”, destaca o presidente. Isolados os dados do último trimestre – que geralmente concentra o maior volume de captação no ano – as novas contribuições da previdência complementar cresceram 19,16% na comparação com o mesmo período de 2004. Já no primeiro semestre, a queda havia sido de 5,39% na comparação com o primeiro semestre de 2004.
“O desempenho do primeiro semestre refletiu o desconhecimento da população em relação às novas regras. Mas, depois que entendeu as vantagens do novo sistema, o investidor voltou a investir no sistema”, analisa o presidente da Anapp.
Para Nascimento, as mudanças no regime tributário foram bastante positivas. “Ficou claro para o mercado que investir em planos de previdência beneficia o investidor em três momentos. Em primeiro lugar, na aplicação. Durante o período de acumulação de recursos não existe tributação, o que se torna uma vantagem em relação ao outros investimentos”.
Outro momento em que o investidor da previdência tem vantagem em relação a outros investimento, segundo Nascimento, é no recebimento do benefício ou do resgate. “Nesse ponto, o investidor pode escolher o regime de tributação mais adequado às suas necessidades, observando que, caso escolha o regime de tributação regressiva, ele será premiado com redução de impostos à medida que deixar os seus recursos por mais tempo.”
A terceira vantagem, na opinião do presidente da Anapp, é que o investidor também permanece com a vantagem de abater até o limite de 12% da renda bruta tributável no calculo do Imposto de Renda. “Lembrando que essa opção é vantajosa para o cidadão que faz a sua declaração segundo o modelo completo”.
Ranking
A Bradesco Vida e Previdência liderou o ranking de captação em 2005, com 37% do total arrecadado, seguido pelo Itaú (18%), Brasilprev (11%), Unibanco (7%), Caixa (6%), Santander (5%), HSBC (4%), Real (4%), Icatu-Hartford (2%) e Capemi (1%). As demais seguradoras somam, no total, 5% da captação.
Reservas
As provisões ou reservas técnicas – recursos acumulados pelos participantes do sistema de previdência complementar – somaram R$ 77,2 bilhões em 2005 (dado acumulado desde o início da série), o que representou uma alta de 25,79% na comparação com o ano de 2004, quando as reservas do setor somaram R$ 61,4 bilhões.
As provisões dos VGBL tiveram o crescimento mais expressivo, 55%, passando de R$ 18,4 bilhões para R$ 28,6 bilhões. O PGBL cresceu 30% em 2005, sendo que as reservas do produto passaram de R$ 16,5 bilhões para R$ 21,4 bilhões entre 2004 e 2005. As reservas de planos tradicionais passaram de R$ 26 bilhões para R$ 26,7 bilhões, o que representou um crescimento de 3% nos últimos 12 meses.
Os VGBL mantiveram a liderança no volume de depósitos no sistema de previdência complementar, com 36% do total, seguidos de perto pelos planos tradicionais, com 35% do volume total de provisões, enquanto os PGBL contaram com 28% do volume total de provisões. Os Fapi completam a equação, com 1%.
Carteira
Em relação à carteira de investimentos – que inclui as reservas técnicas, as reservas livres, o capital de seguradoras e outros valores – o mercado de previdência complementar cresceu 23,45% em 2005 na comparação com o ano de 2004 (acumulado desde o início da série). Com isso, a carteira do setor somou R$ 81,5 bilhões.
O VGBL teve o crescimento mais expressivo, com alta de 55,25% do total de recursos, passando de R$ 18,3 bilhões para R$ 28,5 bilhões. O PGBL cresceu 30,19% no período, sendo que a carteira do produto passou de R$ 16,6 bilhões para R$ 21,6 bilhões entre 2004 2005.
Por fim, a carteira de planos tradicionais passou de R$ 30,5 bilhões para R$ 30,9 bilhões, o que representou um avanço de 1,01%. Entre os Fapi, a carteira de investimentos teve uma leve retração, passando de R$ 451,1 milhões para R$ 448,2 milhões.
No período, a carteira de investimentos ficou dividida da seguinte forma: os planos tradicionais mantiveram a liderança, com 38% do total, seguido pelo VGBL, com 35% e o PGBL com 26%. O FAPI completa a equação, com 1% do total do volume da carteira.
Beneficiários
Os dados da Anapp computaram 325.204 beneficiários do sistema de previdência privada em 2005, o que representou uma elevação de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 262.245 beneficiários.
Planos Individuais
Em 2005, a Anapp registrou 7.354.267 planos individuais, o que representa uma alta de 8,4% na comparação com 2004, quando foram computados 6.779,943 planos. “Há um contingente expressivo de potenciais novos consumidores que devem entrar no sistema ao longo dos próximos anos. Os investidores hoje posicionados em caderneta de poupança são um público-alvo da indústria de previdência”, diz Nascimento.
Planos Empresariais
A Anapp registrou 147.885 planos corporativos de previdência complementar aberta em 2005, contra 120.662 em 2004 (alta de 22,56%).
Glossário
Captação de recursos
: volume de depósitos novos que ingressam nos planos de previdência