Roberta da Costa
Há cerca de um ano integrando o Comitê de Educação e Capacitação da Anapp, Milene Canhas Dias é gerente executiva da Bradesco Vida e Previdência S/A, sendo responsável pela área de Treinamento. Já elaborou o conteúdo e acompanhou todo o desenvolvimento do Curso de Previdência da empresa. Formada em Pedagogia, Milene está começando o MBA em Recursos Humanos, na Universidade de São Paulo (USP), e concedeu entrevista ao Anapp Informa sobre a importância do e-learning para a área de previdência.
Ainda há uma certa confusão em torno do conceito de e-learning. O que caracteriza este tipo de aprendizagem? Quais as principais vantagens em relação aos métodos tradicionais de ensino?
O e-learning é um treinamento à distância realizado através de um computador, ou seja, qualquer pessoa com acesso a um computador, seja próprio ou não, pode fazer. Seu grande diferencial é a interatividade, pois trabalha com várias possibilidades, como jogos, filmes etc., garantindo assim a atratividade do programa. As vantagens são a redução de custos em relação à logística dos cursos presenciais (passagens, hotel, refeições etc.) e a possibilidade de "treinar" um grande número de pessoas simultaneamente, o que não seria possível com o treinamento convencional.
Qual a importância do e-learning especificamente para a área de previdência privada?
Ele representa a possibilidade de qualificar um grande número de corretores com custos baixos. O segmento exige cada vez mais um profissional altamente qualificado, pois o cliente está bastante exigente ao escolher seu plano de previdência. O e-learning contribui muito, principalmente quando consideramos o fator tempo.
Os problemas relacionados à internet e à inclusão digital no Brasil afetam o crescimento do e-learning no país?
Na Organização Bradesco, desde 2000 (ano de implantação), temos já registradas mais de 300 mil inscrições. Os problemas com relação à internet não chegam a afetar, porém, ainda é necessário desenvolver a cultura para realização de cursos on line entre os participantes.
E o que é necessário para criar essa cultura?
Desmistificar o e-learning, pois ainda há a falsa impressão de que é chato, cansativo e, principalmente, estimular a disciplina necessária para realizar os programas, uma vez que quem determina o dia e a carga horária diária é o próprio participante.
O e-learning é um recurso ainda restrito a grandes corporações devido a altos custos? Há outras opções similares mais acessíveis para empresas menores?
Realmente para uma empresa de pequeno porte, o investimento é muito alto e "não se paga". Se o número de funcionários for pequeno, dificilmente este custo será diluído. Existem outras opções, como, por exemplo, o CD-ROM, de custo baixo e fácil utilização, ou ainda o tradicional treinamento à distância.
Por se tratar de um treinamento mediado por tecnologia, exige maior interdisciplinaridade. Quais os departamentos que interagem para a implantação de um e-learning?
Na Bradesco, estão envolvidos os Departamentos de Desenvolvimento de sistemas, de Processamento e controle de dados e de Tecnologia do negócio, existindo uma boa interação entre os mesmos.
Geralmente, a tecnologia e o conteúdo do e-learning ainda são essencialmente americanos e europeus. Há e-learnings “totalmente nacionais”?
No nosso caso, a maioria dos conteúdos dos programas são desenvolvidos internamente. O único pacote de treinamento que foi comprado é de empresa brasileira.
Há quem acredite que o e-learning sozinho ainda não se sustenta, tornando necessária a interação com o processo convencional de aprendizagem. Como se dá essa relação?
O e-learning nunca substituirá o processo convencional, porém, ele complementa, acrescenta e amplia as possibilidades de treinamento. Hoje, talvez falte uma interação maior entre os dois processos, mas é totalmente possível.