Valor Econômico
Uma nova turma de gestores aportou no mercado brasileiro de previdência privada para tentar abocanhar um pedaço desse bolo bilionário, que movimentou só até maio mais de R$ 10 bilhões. São empresas renomadas na gestão de recursos que decidiram entrar nesse segmento nos últimos meses, ou que imprimem maiores esforços para ampliar a atuação nessa área.
A princípio, a ação parece dar resultado: no ranking das maiores seguradoras do país, as companhias que estão fora da lista das dez maiores respondiam, em maio, por 4,4% da receita do mercado. Em dezembro, essa taxa estava em 3,6%, informa a Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).
Os temores a respeito do atual modelo de previdência pública, com os riscos de que o Estado não consiga prover os recursos necessários para as próximas gerações de aposentados, fazem o mercado de proteção privada crescer e, conseqüentemente, ampliar o interesse de novas companhias. No grupo das gestoras de recursos que entraram recentemente está a Hedging-Griffo, que fez em outubro parceria com a Mapfre Seguros para, a princípio, distribuir planos para clientes que já faziam parte da carteira da empresa. "Nossos clientes contratavam a operação de previdência privada em outros bancos. Precisávamos ir atrás desse dinheiro, oferecendo pacotes com diferenciais em relação ao resto do mercado", diz Daniel Caldeira, sócio da empresa e responsável pela área de produtos da Griffo. Em janeiro, o patrimônio dos planos de previdência da instituição somavam R$ 10 milhões. Ao final de julho, batia nos R$ 63 milhões. Estima-se que mais de R$ 40 milhões migraram de empresas financeiras concorrentes.
Quem entrou de mansinho, começa a colher resultados consistentes. A Icatu Hartford tem firmado há alguns anos contratos com gestores tradicionais para disponibilizar planos ao mercado. O último foi fechado há apenas um mês, com a Votorantim Asset Management. A empresa aparece na nona posição, entre as dez maiores do mercado no segmento de PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), informa a Fenaprevi. Ela é dona de 2,9% do mercado total de PGBL, que atingiu R$ 338 milhões em maio e somou R$ 1,8 bilhão no acumulado do ano. Nos últimos meses, aceleraram os números de parcerias da Icatu porque, por lei, para oferecer PGBL e VGBL, os gestores precisam estar ligados a uma companhia da área de seguros. Hoje, a Icatu oferece previdência gerida por GAP, WestLB, Fator, Mellon, Legg Mason e Votorantim, além do UBS Pactual e da gestão própria.
"No começo, éramos nós que íamos atrás deles, para fechar acordos. Agora, o movimento se inverteu", diz Luciano Snel, diretor de vida, previdência e capitalização da Icatu Hartford. "É muito possível que fechemos parcerias com mais assets ainda neste ano". Entre os gestores ligados à Icatu, o UBS Pactual teve um aumento de 54% no patrimônio de seus fundos entre dezembro e abril. A gestora de fundos já administra R$ 185 milhões em previdência.
Para conseguir abocanhar uma parcela desse segmento, as empresas utilizam a sua rede já instalada para chegar ao cliente e tentar oferecer diferenciais em seus pacotes. Vale acabar com a taxa de carregamento de entrada, por exemplo, e apresentar uma estrutura de gestores especializados para o atendimento pessoal - como a maioria das médias seguradoras já o fazem. A Icatu, por exemplo, decidiu criar planos com uma carteira mais agressiva nos anos iniciais de aplicação e, com o passar do tempo, quando o cliente se aproxima da aposentadoria, as aplicações ficam mais conservadoras. "Eles precisam oferecer mais que o básico se quiserem se destacar.", diz Luiz Jurandir , sócio da Mercer Investment Consulting.
Segundo a Resolução 3.121, do Conselho Monetário Nacional, as entidades de previdência não podem investir mais de 50% de seus recursos em renda variável.
A Votorantim Asset tem um plano muito claro nesse sentido. "Queremos realmente tirar dinheiro dos outros", diz Reinaldo Lacerda, superintendente de wealth management da Votorantim Asset Management (VAM). "Isso é um jogo de ´rouba monte´. Quem entra deve avançar sobre o outro."