terça-feira, 7 de setembro de 2010  
 

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Novos gestores chegam com fôlego para concorrer

Valor Econômico



Uma nova turma de gestores aportou no mercado brasileiro de previdência privada para tentar abocanhar um pedaço desse bolo bilionário, que movimentou só até maio mais de R$ 10 bilhões. São empresas renomadas na gestão de recursos que decidiram entrar nesse segmento nos últimos meses, ou que imprimem maiores esforços para ampliar a atuação nessa área. 

A princípio, a ação parece dar resultado: no ranking das maiores seguradoras do país, as companhias que estão fora da lista das dez maiores respondiam, em maio, por 4,4% da receita do mercado. Em dezembro, essa taxa estava em 3,6%, informa a Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). 

Os temores a respeito do atual modelo de previdência pública, com os riscos de que o Estado não consiga prover os recursos necessários para as próximas gerações de aposentados, fazem o mercado de proteção privada crescer e, conseqüentemente, ampliar o interesse de novas companhias. No grupo das gestoras de recursos que entraram recentemente está a Hedging-Griffo, que fez em outubro parceria com a Mapfre Seguros para, a princípio, distribuir planos para clientes que já faziam parte da carteira da empresa. "Nossos clientes contratavam a operação de previdência privada em outros bancos. Precisávamos ir atrás desse dinheiro, oferecendo pacotes com diferenciais em relação ao resto do mercado", diz Daniel Caldeira, sócio da empresa e responsável pela área de produtos da Griffo. Em janeiro, o patrimônio dos planos de previdência da instituição somavam R$ 10 milhões. Ao final de julho, batia nos R$ 63 milhões. Estima-se que mais de R$ 40 milhões migraram de empresas financeiras concorrentes. 

Quem entrou de mansinho, começa a colher resultados consistentes. A Icatu Hartford tem firmado há alguns anos contratos com gestores tradicionais para disponibilizar planos ao mercado. O último foi fechado há apenas um mês, com a Votorantim Asset Management. A empresa aparece na nona posição, entre as dez maiores do mercado no segmento de PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), informa a Fenaprevi. Ela é dona de 2,9% do mercado total de PGBL, que atingiu R$ 338 milhões em maio e somou R$ 1,8 bilhão no acumulado do ano. Nos últimos meses, aceleraram os números de parcerias da Icatu porque, por lei, para oferecer PGBL e VGBL, os gestores precisam estar ligados a uma companhia da área de seguros. Hoje, a Icatu oferece previdência gerida por GAP, WestLB, Fator, Mellon, Legg Mason e Votorantim, além do UBS Pactual e da gestão própria. 

"No começo, éramos nós que íamos atrás deles, para fechar acordos. Agora, o movimento se inverteu", diz Luciano Snel, diretor de vida, previdência e capitalização da Icatu Hartford. "É muito possível que fechemos parcerias com mais assets ainda neste ano". Entre os gestores ligados à Icatu, o UBS Pactual teve um aumento de 54% no patrimônio de seus fundos entre dezembro e abril. A gestora de fundos já administra R$ 185 milhões em previdência. 

Para conseguir abocanhar uma parcela desse segmento, as empresas utilizam a sua rede já instalada para chegar ao cliente e tentar oferecer diferenciais em seus pacotes. Vale acabar com a taxa de carregamento de entrada, por exemplo, e apresentar uma estrutura de gestores especializados para o atendimento pessoal - como a maioria das médias seguradoras já o fazem. A Icatu, por exemplo, decidiu criar planos com uma carteira mais agressiva nos anos iniciais de aplicação e, com o passar do tempo, quando o cliente se aproxima da aposentadoria, as aplicações ficam mais conservadoras. "Eles precisam oferecer mais que o básico se quiserem se destacar.", diz Luiz Jurandir , sócio da Mercer Investment Consulting. 

Segundo a Resolução 3.121, do Conselho Monetário Nacional, as entidades de previdência não podem investir mais de 50% de seus recursos em renda variável. 

A Votorantim Asset tem um plano muito claro nesse sentido. "Queremos realmente tirar dinheiro dos outros", diz Reinaldo Lacerda, superintendente de wealth management da Votorantim Asset Management (VAM). "Isso é um jogo de ´rouba monte´. Quem entra deve avançar sobre o outro." 

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